Nascida em Tubarão (SC), em 3 de julho de 1928, e falecida em Brasília (DF), em 17 de dezembro de 2024, a escritora, professora, roteirista, advogada, feminista e comunista sempre teve Florianópolis como sua cidade de coração. Daí a despedida, que reunirá familiares, amigas, amigos e admiradores, na ilha na qual passou a maior parte dos seus 96 anos de vida.
A homenagem começará às 14h30, com a exibição do documentário “Eglê” (84 minutos, direção de Adriane Canan, 2023), no Teatro Carmen Fossari. E prosseguirá, às 16h, na Igrejinha (ao lado do teatro), com exposição de fotos, livros e documentos, além de depoimentos sobre a homenageada e apresentação da pianista Denise de Castro (compositora e intérprete da trilha sonora do filme “Eglê”).
Natural de Tubarão (SC), Eglê Malheiros cresceu em Florianópolis, onde, desde cedo, mostrou interesse pelas artes. Formada em Direito pela UFSC, advogada inscrita na OAB e mestre em Comunicação pela UFRJ, atuou como professora, escritora, tradutora e especialista em literatura infanto-juvenil.
Nos anos 1940 e 50, foi uma das fundadoras do Grupo Sul, movimento artístico-cultural que agitou a Santa Catarina do período. Em parceria com Salim Miguel, companheiro e pai de seus cinco filhos, criou o argumento e os diálogos do primeiro-longa metragem do cinema catarinense, “O preço da ilusão”.
Como tradutora de francês, inglês, alemão e espanhol, foi a responsável pelas versões em português de “A coragem do ser” (Paul Tillich, 1967), “Knulp” (Herman Hesse, 1971) e “A mulher eunuco” (Germaine Greer, 1971).
Radicado no Rio de Janeiro após o Golpe de 1964, o casal também foi um dos editores da revista literária “Ficção” (1976-79), que marcou época divulgando a melhor literatura e lançando novos talentos.
Nascida em 1928 na cidade de Tubarão-SC, Eglê Malheiros é professora, poeta, escritora e tradutora. Em 1947, passa a lecionar história no Instituto Estadual de Educação, em Florianópolis. E no início da década de 1950 torna-se a primeira mulher a graduar-se pela Faculdade de Direito de Santa Catarina.
Como integrante do Grupo Sul, Eglê publica regularmente textos de poesia e prosa, além de artigos de crítica, na revista “Sul”. Em 1952, lança “Manhã”, livro reunindo poemas de cunho humanista, em prol da paz e da emancipação nacional.
Sua atuação de muitos anos junto ao Partido Comunista faz com que seja rotulada de “subversiva” pela ditadura militar, levando a um período na prisão, em 1964, e à proibição de que exerça o magistério. Quando libertada, muda-se com a família para o Rio de Janeiro.
Profunda conhecedora das línguas alemã, espanhola, francesa, inglesa e italiana, Eglê irá traduzir textos para enciclopédias (“Delta Larousse”, “Mirador”) e revistas (“Pais e Filhos”, “Tendência”), além de livros para as editoras Paz e Terra e Civilização Brasileira, incluindo, entre outros, “Knulp” (Herman Hesse) e “A mulher eunuco” (Germaine Greer).
Ainda no Rio de Janeiro, junto a Salim Miguel, Laura Sandroni, Cícero Sandroni e Fausto Cunha, completa o grupo responsável pela edição da revista de contos “Ficção” (1976 a 1979). Na mesma época, ocupa o cargo de diretora-secretária da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).
Ao retornar para Santa Catarina, exerce a função de chefe do Departamento de Educação e Saúde de Florianópolis (tempos depois transformado em Secretaria Municipal de Educação). Durante muitos anos, produz textos veiculados na imprensa catarinense, gaúcha e carioca.
Dentre as distinções que recebeu, destacam-se o “Prêmio Personalidade Cultural”, concedido pela União Brasileira de Escritores (1994) e a “Medalha de Mérito Cultural Cruz e Sousa”, conferida pelo Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina (1998).
Dados biográficos extraídos de texto de Luciana Rassier
Realizado pelas produtoras catarinenses Margot Filmes, Lilás Filmes e Calendula Filmes, foi lançado nas comemorações do aniversário de 95 anos de Eglê Malheiros, em julho de 2023. Está neste momento sendo apresentado no circuito de festivais e já se encontra licenciado pelo Canal CINEBRASiLTV, do Rio de Janeiro, onde deve estrear em julho de 2024.
Durante a produção do documentário, as artistas visuais Gabi Bresola e Leila Pessoa, da Ombu produção, desenvolveram o “Projeto Acervo Eglê”, digitalizando mais de três mil itens do arquivo pessoal da poetisa e autora catarinense. Todo o conjunto estará em breve à disposição de pesquisadores e do público em geral, no “Espaço Eglê Malheiros e Salim Miguel”.
O documentário nas redes sociais: @eglemalheiros e www.facebook.com/eglefilme
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Desenvolvido a partir de uma abordagem biográfica, o documentário é narrado pelo próprio escritor e por amigos, colegas e familiares, cobrindo tópicos como o processo de criação literária, a trajetória no jornalismo, a infância e a adolescência enquanto imigrante libanês, as atividades pioneiras do “Grupo Sul” e os impactos gerados pela prisão durante a ditadura militar. Depoimentos de Salim gravados ao longo de oito anos enriquecem o filme.
Filme completo:
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Registra o trabalho do Círculo de Arte Moderna de Santa Catarina, importante movimento cultural do estado. Conhecido como “Grupo Sul”, entre 1947 e 1958, reuniu intelectuais e artistas como Aníbal Nunes Pires, Ody Fraga, Antonio Paladino, Hassis, Martinho de Haro, Aldo Nunes, Walmor Cardoso da Silva, Carlos Scliar, Archibaldo Cabral Neves, Meyer Filho, Oswaldo Goeldi e Tércio da Gama. Eglê e Salim tiveram presença ativa no coletivo, que publicou a revista “Sul”, editou livros, encenou peças teatrais, promoveu exposições de arte, criou um clube de cinema e realizou o primeiro longa-metragem catarinense, “O Preço da Ilusão”.
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